Acabadas as seis semanas do IAO no Regimento de Infantaria n.º1 na Amadora e depois de um curto periodo de férias de "despedida" eramos mais de cem homens que compunham a Companhia de caçadores 4141 os gaviões considerados prontos como carne para canhão para o teatro de guerra em  Moçambique.

Esta primeira etapa da minha viagem numa tarde de 12 de Novembro de 1972 terminou junto do aeroporto de Lisboa foi uma das mais angustiantes de que me recordo em toda a minha vida e julgo não só para mim mas para nós todos pois era a primeira prova concreta a certeza ultima de ser verdade aquilo que nos esperava: a guerra!.o "Niassa." O avião dos T.A.M. preparado pronto a voar para Moçambique até fazer a abitual escala em Luanda para o seu reabestecimento após passado uma hora o avião já se encontrava lá no alto rasgando as nuvens com destino à cidade da Beira Moçambique onde desembarcamos no dia 13 de Novembro de 1972  nos deslocamos para a Unidade Militar.

No dia 15 de Novembro de 1972 embarquei com o primeiro escalão  com o comandante da Companhia num avião fretado que fez escala em Nova Freixo.No mesmo dia fomos transportados para a estação dos caminhos de ferro segui-se um dia de comboio para percorrer os sete centos e tal quilómetros de via férria até Vila Cabral  Capital da Provincia do Niassa conhecida na giria da tropa pelo «ESTADO DE MINAS GERAIS»Daqui eu ainda percorri cerca de 20 horas os 60km que faltavam até Meponda junto do lago Niassa estrada em que foram "picados" todos os palmos de terra que os rodados dos camiões haveriam de percorrer.

Mas o primeiro escalão da Companhia lá embarcou na lancha da Marinha até Metangula cerca de 80 km a Norte que teria que percorrer aínda por picadas minadas as dezenas de quilómetros  que faltavam até Nova Coimbra e até ao Lunho.

"LUNHO O INFERNO ONDE OS ANJOS RIEM"

Pendurado no meio da cozinha do rancho geral preso por um arame um ferro que servia de badalo ao sino improvisado este que servia de sineta era usado para chamar o pessoal para se colocarem em fila ordenadamente para ser servido as refeições.Estava sempre atento no Lunho não premitia descuidos só a sua fama era suficientemente para despertar o mais sonolento dos soldados.No Lunho os "velhinhos" durante alguns dias ficamos ocupados com a tranferência de todos os materiais da companhia que fomos render para a nossa.Acabada esta entrega e dados todos os conselhos pelos "velhinhos" ali ficamos entregues a nós próprios sem experiência no Lunho (o inferno onde os anjos se riam). 

"Já se passaram 44 anos"  12 de Novembro de 2016 dia de S.Martinho"

NESTES POSTOS DE SENTINELA PASSEI MUITAS NOITES COM AS COSTAS AO RELENTO COMO UM CAÇADOR À ESPERA DE CAÇA:

ESTA PICADA DE NOVA COIMBRA ATÉ AO LUNHO ERAM 17 KM INTERMINÁVEIS CHEIRAVA A TRÓTIL A TERROR E A MORTE:

"NIASSA MOÇAMBIQUE "LUNHO" 1972.

TranquiloGrande SorrisoNO DIA 19 DE NOVEMBRO DE 1972 CHEGUEI AO LUNHO COM A C.CAÇ 4141 OS GAVIÕES:

Esta Companhia ficou sediada num aquartelamento mais isolado a Noroeste do Niassa..

O seu ambiente era só mato e os Montes que vigiavam de perto e de longe..... montes mais pequenos como lijombos e grandes como o Chissindo.

Para os que estavam do lado de cá! O Lunho ficava lá no fim do mundo mas para nós que estavamos  lá! aqueles 17 Km que nos separavam da Companhia e da povoação mais próxima - Nova Coimbra eram intermináveis....Era necessário todo o carregamento de frescos que chegava num pequeno avião e tinha de dar para toda a semana 200 kg de carne fruta o correio e pouco mais.Cada quilómetro teve uma história:era uma emboscada era uma mina que se detetava e era  levantada era uma viatura que atascava e obrigava horas e horas de trabalho angústiante eram patrulhamentos.Havia sangue e suor e esforço dos que iam para as operações dos que iam fazer proteção a uma coluna dos que iam compor o itinerário dos que iam carregar às costas os reabastecimentos que não chegavam lá de avião porque a pista de aviação durante as chuvas se alagava e o nome do Lunho metia muito respeito.Impressionava os que não estavam lá porque os que estavam! estavam acostumados e jogavam a apreensão de cada dia com a naturalidade dos que todos os dias saiam de casa para o emprego.Era o aquartelamento e todo o horizonte: era vegetação rasteira e plana na maior parte da vista ao redor e para o outro lado umas grandes montanhas e a subida para a Miandica.Claro que que não havia lá mais nada não havia viva alma à volta! As casernas de material pré-fabricado em chapas de zinco disseminadas mais ou menos irregular desordonadamente.Para quem não soube o Lunho ficava lá para o fim do mundo! aquela picada cheirava a trótil a destruição e a morte.Nós soldados isolados ali perdidos no meio do mato passou a ser o centro daquele aquartelamento onde só reinava o terror e o medo.Triste

 

 

No Lunho também pude ver uma capela sem padre que deixava circular livremente a luz e o ar sobre umas chapas de zinco e por entre umas colunas de madeira que sustentavam o teto zincado.

Vi uma cruz na frente daquele local destinado à oração mas esquecido para tal fim.Era pois este o indicativo e só de capela ou algo análgo.Dentro daquelas e debaixo das folhas metálicas encontravam-se ao fundo umas cruzes imperfeitas com Cristos crucificados uma Santa nossa senhora de Fátima aparecida na Miandica de terço a pender das mãos ar triste talvês por se encontrar só no meio de um ambiente bélico e sem estatutos uma chapa de ferro sobre um bidão servindo de altar para a celebração do Santo Oficio.

Um capelão militar um certo dia se deslocou ao Lunho em Janeiro de 1973 afim de celebrar o Santo Oficio na capela do Bidões.

PALAVRAS DO SR. "CAPELÃO"

Uma vêz mais "eis" que não tenho um altar nem toalhas nem hóstias nem cálice  para a celebração da missa.Estamos em plena guerra  de rigorosa prevenção.As tropas de Elite saíram para uma operação não pode haver ajuntamentos ou atividades que não premitiam uma reação pronta e imediata.Estamos em pleno mato.Éra  o destacamento mais pequeno e isolado da companhia. No meio do maior isolamento e deseloção! Eramos cerca de três dezenas de soldados.Tinha os nervos num feixe o sr "Capelão" como eles? mas não podia dar a entender.Éra pior  a expectativa do que a ação planeada e movimentada comentou o comandante do destacamento do Lunho Capitão António Cardoso. Muito perto do destacamento encontravam-se implantadas algumas das bases mais importantes e perigosas da "FRELIMO" nomeadamentea da Mepotxe.Confuso  

 

PONTE DO LUNHO COM O PESSOAL DO 2.º GRUPO DE COMBATE PARTINDO PARA UMA OPERAÇÃO

"COZINHA DO RANCHO PARA PRAÇAS":

Neste acampamento possuiu além de um refeitório que não existiu para praças.

"O melhor do Lunho" tomavam refeições os oficiais e sargentos quer do QP quer do QC.A cozinha era apegada e a ligá-la com o refeitório podia ver-se aínda um buraco através do qual os pratos passavam.Sobre o dito buraco existiu um memorial frase lapidar do seguinte teor.

"DIETA OBRIGATÓRIA"Como efetivamente tinhamos amor à saúde cumpriamos à risca a máxima em causa.Mas naquela sala que servia de refeitório aínda pude ver geleiras a petróleo constantemente avariadas.Também as máquinas sofriam a influência do tempo e então quando o ambiente atmosférico ficava mais fresco tinhamos bebidas frescas! quando aquecia também ficavam quentes! isto é que era uma concordância!....

Os funcionários que nos serviam esses também eram os melhores do Lunho faltava-lhes  apenas o casaco branco e as boas maneiras de todo o empregado que se batia para a gorja.Um deles ao pedido de uma cerveja respondia com uma colher de pau trazia o vinho e assim sucessivamente.

Para completar as refeições e dado que o jantar era bastante cedo preparavam-se lautos banquetes para as três horas matinais.Apetecia um frango no churrasco desviado mesmo em vida da machanba hoje um à manhã outro e lá se foram uma dúzia de frangos.O jantar para quem era praça era servido cedo porque faltavam condições para ser servido com luz artificial necessitando de aproveitar a luz solar.O meio era tão pequeno que nada se fêz sem se pensar na minima coisa embora insignificante sem que todos os componentes do grupo belicoso o soubessem.Chegava mesmo apontar feitos e não feitos que em tal nunca pensaram quanto mais executar.

Vivi muito longe de todos e de tudo sofri muitas privações mas estou convencido de que qualquer situação por mais estúpida que seja portadora de todo este meu sofrimento que pode parecer gratuíto e inútil! Se for encarada de frente com muita lucidez pode ser uma fonte de enriquecimento humano de amadurecimento e ajudar a compreender os outros quando estão num "merdeiro" como diriam os franceses.Isto não é um convite à resignação ou uma consulação fácil.É apenas uma reflexão baseada numa pequena experiência que partilho com todos os meus camaradas de armas  que comigo habitaram o buraco do Lunho.

Sentime menos só menos desamparado menos olvidado mais perto da civilização mais perto do homem quando recebia correio coisa que acontecia vulgarmente duas vezes por semana.Eram dias grandes estes em que podia fazer leituras epistolares embora o miserável bocado de papel não fosse o melhor meio de comunhão entre mim.Mas sempre era melhor que o silêncio completo fácilmente ressentido como abandono.Não sentia o calor dos beijos da minha noiva mas imaginava e esquecia enquanto lia que estava numa zona de 100%.Não sentia os carinhos maternos as palavras sensatas de um pai mas lia o que me transmitiam.Sentia nessecidade de escrever diáriamente mas o que eu tinha para dizer?As noticias que ixistiam muitas vezes eram cortadas pela nossa sençura pessoal.Não podia relatar às pessoas mais queridas mais ligadas mais intimas que tinha detetado na picada um engenho explosivo  que batizaram com o nome de mina.Esta zona era muito rica em minas pois minas era mato.Hove quem lhe chama-se e bem o (ESTADO DE MINAS GERAIS).Este engenho se não fosse detetado a tempo podia fazer ir pelos ares o pessoal e podia dar origem à aprendizagem de para-quedismo.Enfim falar do tempo das moscas dos ratos acho deveras irrisório dizer apenas que estava bem era ???????? muito pouco.

Neste lar sem união comi carne de vaca ou de burro que alguém tinha rejeitado.Eramos visitados duas vezes por semana.Tinhamos direito apenas a 200 kg de viveres portanto 400 kg para serem consumidos em sete dias.A zona não era explorada e como tal só era possivel tragar o que nos levavam.Bebia-se água férria quando não havia avaria na bomba ou no motor que a fazia mover ou aínda quando não faltava o combustivel necessário para a movimentação da máquina.Bebia esta mesma água a temperaturas que fariam pelar leitões.O vinho da velha cepa não chegava ao Lunho chegava sim uns barris de água do Lago do Niassa com um pouco de tinta vermelha e outros cheios de vinagre e água colorida que era racionalmente servido por um elemento da secção da cozinha com uma lata de cerveja cortada pelo meio.Aquele vaso definitivamente provisório não tinha asa ou qualquer coisa do género por onde se lhe pegá-se.

Como ia dizendo o homem com as mãos muito sebentas enfiáva um dedo ou os dedos muito sebentos no recipiente e ia lavando assim as mãos com o liquido que era distribuído aos soldados que em fila ordenadamente se aproximavam.

Pude beber ainda à troca da pecúnia a cerveja com carimbo de isenção mas vendida a preço corrente quando a cerveja falhava coisa abitual bebia Coca Cola e quando esta falhava bebia Hi-sepote quando esta falhava bebia água e quando esta falhava passava sede.Claro que havia mais bebidas mas estas eram vendidas a preço de consumo. Chocado 

 

 

"SENTIA O ESTOIRO DAS GRANADAS PERTO".

ChocadoNA DESPEDIDA IXISTIA UMA AMARGURA E LÁGRIMAS QUE NÃO REBENTAVAM.

DEIXAR A BASE PARA A MISSÃO ERA EMBARCAR NUM JOGO DE VIDA OU DE MORTE.

 

Perto existiu uma base do inimigo a quem lhe chamavam a Mepotxe e diziam que ninguém conseguia penetrar dado que o terreno era rabinado e fora do mesmo era impossivel a progressão.O chefe convocou uma operação com uma duração de oito dias para arrazar a dita base.Reunido o senado foi feita a formatura na parada do Lunho para recebermos todas as instruções do chefe e Oficiais. A despedida  dos que fizeram parte da operação foi marcante.Existia uma amargura com lágrimas que não rebentavam.Os que partiam  abraçavam os que ficavam para defender o bairro de latas confortando-nos e desejando uma boa estadia no mato.Parecia  que partíamos para muito longe e nunca mais nos iam ver parecia que partiamos para um jogo de vida ou de morte.Estas despedidas eram cenas que comoviam muita gente.Em seguida lá nos foram distribuidas as "rações de combate" alimento que nos foi fornecido para nos poderem manter em pé nos dias em que tinha de dormir sob o firmamento e com as costas ao relento.Lá seguimos os trilhos atravessando pequenos rios vales e serras em direção à base.Fizemos várias pausas para almoçar jantar e pernoitar.No dia 29 de Janeiro de 1973 conseguimos chegar junto do rio da Mepotxe....

 

                                             " O CONFRONTO"

Seguimos um trilho que tinha uma inclinação  muito elevada e no cimo avistámos uma palhota onde se encontrava um "turra" da FRELIMO de vigia no interior do seu posto de sentinela.Quando deu pela nossa presença fugiu em direção à base para alertar os seus camaradas de que iam ser atacados Fizemos a perseguição ao "turra" mas não foi possivel dado que ele já levava algum tempo de avanço.Cheguei ao cimo do trilho e lá se encontrava a base constituída por mais de trinta palhotas.Fizemos o cerco e os "turras" reagiram de imediato com armas ligeiras automáticas.Quando me coloquei por detrás de uma ávore um dos "turras" deu pela minha presença me apontou a sua arma prime o gatilho e disparou uma rajada de tiros na minha direção de imediato me atirei para o solo e as balas da sua arma ficaram cravadas numa árvore.Foi a primeira vês que estive frente a frente com os combatentes da Frelimo.Reagi com fogo  da minha G3. e eles se puseram em fuga.Eu e os meus camaradas com o Ronson(isqueiro) da picada chegamos fogo às palhotas.Em seguida começamos a ser bombardeados pelo morteiro 82 fuji pelo mesmo trilho quando já vinha a meio ouvi gritos da base era o meu camarada 1.º cabo corneteiro Fernando Rocha que ficou só a queimar as restantes.O bombardeamento do morteiro 82 era bastante intenso que ao fujir da base já sentia as granadas a estoirar muito perto de mim sintia os estilhaços a prefurar as árvores. Chocado

 

"POSTO DE SENTINELA"

ChocadoChocadoMOÇAMBIQUE NIASSA "LUNHO" NOV.72 A MARÇO 74.

Narquela tarde de 15 de Fevereiro de 1973 entrei de reforço no posto de sentinela que se encontrava junto ao depósito de géneros e se direcionava para a pista de aviação.Levei comigo uma revista(crónica feminina) para ler e ajudar a passar o tempo  no "Lunho" teimava em não passar.Enquanto desfolhava algumas páginas da revista  fumando um cigarro L.M.não o que a minha imaginação forjava mas sim aquilo que os meus olhos estavam a ver ao fundo da pista de aviação um homem negro de cabelo encarapinhado caminhando com a sua arma automática acima da nuca.

Aquele homem não quis primir o gatilho da sua arma quis sim abandonar a vida da rebeldia e abraçar conscientemente a bandeira verde e vermelha.Peguei na minha G3. encarei de frente com muita lucidêz fui ao encontro do ser humano que de imediato me entregou a sua arma.Esse guerrilheiro da Frelimo apenas se chamava (Samuel)senti uma grande necessidade de conversar com ele uma conversa baseada numa pequena experiência e ajudar a compreender qual a sua vida no mato.

Esse ser humano apareceu descalso envergava no seu corpo uma simples camisa e umas calsas todas rotas transportava consigo a sua arma uma colher de pau   e um pequeno saco em pano com um ou dois punhados de arroz  para serem  consumidos naquele dia caso não se entregá-se.Apenas o fui entregar ao meu comandante da companhia para ser levado para o devido intorregatório.Passado alguns meses esse guerrilheiro da Frelimo voltou ao Lunho para ser incorporado numa operação com os meus camaradas fazendo de guia para os levar à base de onde ele tinha desertado mas a base se encontrava abandonada.Ganhei um grande amigo sempre que o "Samuel" voltava ao Lunho ia à minha procura fiz uma pequena reflexão quando ele me disse que esteve deitado no meio do capim com a sua arma apontada na minha direção.  Não me abateu porque não quis no local onde ele se encontrava dificilmente falhava o alvo.Foi muito dificil para mim descrever o que efetivamente um inofensivo  não quis roubar a minha vida se o fizesse era mais um soldado da Metrópole que tombava ao serviço da Pátria na flor da idade e não estaria aqui a contar esta triste história.

Durante o interrogatório ao "Samuel" o mesmo declarou que no assalto feito à Mepotxe no dia 29 de Janeiro de 1973 foram abatidos o chefe Macumba da base operacional da Mepotxe três guerrilheiros e uma mulher.Chocado

"FUI PRESO NUM SUBTERRÂNIO":

LUNHO 1973:

 

A Companhia de Caçadores 4141 os gaviões:

Foi feita a integração dos G.I.132  soldados Africanos de raça negra que aderiram à nossa Companhia.Naquele isolamento muitos deles  refugiavam-se no alcoól em excesso.Passados alguns dias eu me encontrava na minha caserna  a descansar deitado na minha cama.Esses soldados foram distribuídos para todos os pelotões.Passado um tempo na caserna do 2.º pelotão onde eu pertencia e habitava ixistia um soldado negro de nome "Agostinho" um homem rebelde dificil de descrever nos tratando com frazes que eu não citarei.Eu me encontrava deitado na minha cama querendo descansar  não era possivel porque a algazarra desse rebelde com muitos nervos e alcoól à mistura prenunciava frazes impróprias  de raiva não aceitando a ideia  de viver no nosso aconchego.

O rebelde  pega na sua arma G3. e aponta na minha direção levantei-me da minha cama saquei do meu cinturão e com a fivela o atingi numa orelha do lado esquerdo que ficou traçada ao meio.Prontamente o rebelde foi secorrido pelos seus camaradas negros  o encaminhara para o posto de socorros. Passado alguns minutos já se encontrava o comandante da Companhia acompanhado pelo 2.º comandante alferes Curto Ribeiro e pelo furriel do meu pelotão Serafim Afonso o Comandante me deu ordem de prisão.Ordenou que eu entregá-se a minha arma G3.o cinturão e despir a minha camisa fui encaminado semi nu para um subterrânio onde uma cadela tinha parido dez cães dormi junto daqueles animais rodeado de pulgas.A noite parecia muito longa estava muito cassimbo que  gelava os ossos do meu esqueleto. Fui castigado inocentemente por ser branco sofri imenso porque o meu Comandante quis dar lugar à psicula.O astro rei já brilhava na parada do Lunho como uma bola de fogo e o ferro da cozinha tocava para ser distribuido o pequeno almoço.Saí daquele  subterrânio  em direção à cozinha para tomar o café da manhã em seguida fui ter com o meu comandante fiz a respetiva continência e lhe perguntei se o meu castigo já tinha terminado.E como o meu comandante não se encontrava satisfeito me ordenou que fosse em seguida fazer guarda à ponte do Lunho.Não cheguei a compreender que os homens que viviam na rebeldia eram os mais preveligiados só que eu estava inocente.O meu castigo tinha terminado senti uma grande necessidade de ir  ao posto de socorros visitar o rebelde quando cheguei junto dele abraçou-me com as lágrimas nos olhos e me pediu muita desculpa.Olhei de  frente vi o efeito da fivela do meu cinturão vi uma orelha unida  com trinta pontos vi um ser humano triste me abraçou. A  partir desse momento passou a ser um soldado negro o meu melhor amigo.Tudo isto se teria evitado se o rebelde não tivesse abraçado conscientemente ou inconscientemente a vida da rebeldia.Nunca cheguei a entender porque razão havia gente primitivamente  em pé de guerra.Quem sofreu as consequências fui eu.Chocado

"A MINHA EVAQUAÇÃO PARA O HOSPITAL DE VILA CABRAL" 1973.

Neste acampamento estive sujeito à alimentação que se verificava senti uma grande necessidade incrivel de tomar vitaminas dirigi-me direi; à enfermaria da Companhia um nome que alguém lhe deu estava muito bem apropriado.  Estava de serviço um membro da comissão veterinária do sexo masculino fui atendido sem refilar porque estava bastante doente débil em seguida o membro da comissão veterinária me admnistrou uma injeção cavalar e um concentrado de comprimidos venenosos não patiei porque não estava tão doente tão débil como ele julgava.Os dias iam passando e o meu estado de saúde piorava voltei novamente ao miserável barraco o veterinário que se encontrava de serviço dando o alerta que eu me encontrava com um forte paludismo.Baixei de imediato à enfermaria deixei temporáriamente de fazer serviços deixei a minha cama e fui para uma das camas da enfermaria para o respetivo tratamento.Foi feito o requesito da sopa da méssi-dos- Oficiais essa sopa era confecionada com vitaminas mas sem ressultados positivos.A visita do chefe da enfermaria ao verificar o meu estado de saúde lançou um (S.O.S) e no dia seguinte ao nascer do dia aterrou na pista de aviação  um pequeno avião para me evacuar para o Hospital do setor "A" em Vila Cabral. Quando o pequeno avião aterrou na pista  do aeroporto já se encontrava uma ambulãncia para me transportar até ao Hospital.Na urgência estava de serviço um membro da comissão veterinária já velho um médico Tenente Coronel chico envergava uma bata branca por cima do seu uniforme ao examinar o meu estado de saúde chamou um veterinário que se encontrava de serviço  ordenou para  admnistrar um litro de sôro neste gajo que ele está pronto para ir para o caixote palavras do médico.Por ordem do médico fiquei 17 dias com baixa numa cama do Hospital sendo admnistrado um litro de sôro diáriamente.Durante a minha estadia de enfermo diáriamente e constantemente ouvia os hélios a descer e a subir transportando camaradas que vinham do campo de batalha gravemente feridos e outros já moribundos.Passado o tempo da minha estadia no Hospital o médico assinou a minha alta Hospitalar. Despedime de todos  os camaradas que se encontravam deitados naquelas camas e me derigi para a Unidade militar de Vila Cabral aguardando transporte para para o inferno do Lunho.Confuso

A AMBULANCIA QUE ME TRANSPORTOU DO AEROPORTO DE VILA CABRAL PARA O HOSPITAL DO SETOR "A" ONDE FIQEI NAQUELA UNIDADE 17 DIAS SENDO ADMNISTRADO UM LITRO DE SORO DIÁRIO COM INJEÇÕES DE VITAMINAS:

"MIANDICA TERRA DO OUTRO MUNDO"

No dia 28 de maio de 1973 chegou ao Lunho a primeira parte do pessoal e das máquinas da 2.ª companhia de engenharia tendo o restante  pessoal chegado nos dias 29 e 30.No dia 31 de maio de 1973 a 2.ª C. Eng./Avançada sediada no Lunho deu inicio à operação teve como proteção do pessoal da C.CAÇ.4141 os gaviões.A 2.ª C.Eng. teve por finalidade a construção de uma picada até ao planalto da Miandica e a reconstrução da pista de aviação e apropriação do terreno para a instalação de uma força tipo Companhia.04  de Junho de 1973 foi detetada e levantada uma mina anticarro na picada do Lunho Miandiaca a cerca de 1500  metros do aquartelamento do Lunho.Em 29 de Junho de 1973 dois grupos do inimigo em cinco elementos cada atacaram em simultánio a frente dos trabalhos na Miandica e emboscaram uma viatura na picada que se dirigia para a frente dos trabalhos na Miandica que se encontrava a cerca de 2 Km sem consuquências.

03 de Julho de 1973 um grupo inimigo entre os 20 a 30 elementos emboscou   uma viatura na picada do Lunho Miandica com armas automáticas ligeiras e pesadas sem consequências para nós.08 de Agosto de 1973 foi detetada e levantada uma  mina anti-grupo na frente dos trabalhos da Miandica.Em 10 de Agosto de 1973 um grupo estimado em 10 elementos emboscou a equipa de picagem na Miandica.Em 04 de Setembro de 1973 foram detetadas e levantadas 2 minas anticarro na picada do Lunho para a Miandica.Em 11 de Setembro de 1973 foi detetada uma mina anticarro na picada do Lunho Miandica.Em 15 de Outubro de 1973 foi detetada e levantada uma mina anticarro reforçada com uma bomba de avião de 15kg na picada do Lunho Miandica no cruzamento com a picada do CHISSINDO.Em 18 de Outubro de 1973 os trabalhos de construção da picada Lunho-Miandica atingiram a pista de aviação na Miandica.Em 01 de Novembro de 1973 um grupo de 06 guerrilheiros da Frelimo atacaram uma viatura de patrulhamento na picada do Lunho Miandica com armas ligeiras automáticas sem consequências.Em 08 de Novembro de 1973 um grupo de 03 guerrilheiros da Frelimo foram surpreendidos pelo patrulhamento na picada do Lunho-Miandica a implantar uma mina anticarro tendo-se posto em fuga.Em 16 de novembro de 1973 já ao final da tarde e de regresso ao Lunho uma viatura da 4141 transitava com pessoal na picada da Miandica para o aquartelamento do Lunho acionou uma mina anticarro  o pessoal que seguia na berliet foram projetados para o solo prontamente foram assistidos pelo enfermeiro onde tinham ferimentos ligeiros a viatura ficou bastante danificada.

A companhia 4141 os gaviões manteve-se empenhada na proteção aos trabalhos da 2.ª companhia de engenharia até ao dia 20 de Dezembro de 1973 data em que a mesma recolheu a Vila Cabral.A partir daquela data a  C.CAÇ.4141 os gaviões manteve dois grupos de combate a manter a segurança na Miandica o restante do pessoal manteve-se no Lunho.A picada do Lunho tornou-se intransitável passando os reabestecimentos ao destacamento da Miandica a ser apeados ou de helicóptero.Confuso

A MORTE DE UM GUERRILHEIRO DA FRELIMO NAS MATAS DA MEPOTXE.

Mas o checa começa a ficar velhinho um dia foi um vunluntário escalado  para tomar parte em mais uma rotineira passeadela pela Mepotex comanda um grupo com todas as precauções teóricas que os seus instrutores lhe incutiram na memória.Os soldados dado que já eram veteranos na mata começaram a rir e a ver com ar ridiculo as atitudes do checa.Contudo o checa vai mesmo ao objetivo dado que era caloiro.Necessitando de meter gasolina no aparelho digestivo madou montar um pequeno alto para o efeito.O "Zé turra" gostava muito de nos seguir e naquele dia foi mesmo o que sucedeu.Entre os nossos  houve um que veu aparecer no meio do capim aquelas cabeças de cabelo encarapinhado.Avisa o seu comandante de secção que era das operações dificies fez a pontaria esperou aproximação do alvo e primiu o gatilho da sua G3.na hora exata.

Foi mais um dos elementos subversivos que tinha tombado.Era aínda manhã e o sol não se tinha afastado do horizonte.O "moribundo" trazia na mão além da arma que não chegou a utilizar uma cana de acúcar com a qual tomava o seu pequeno almoço.O cadáver caiu por terra a mão abriu e a cana ficou entre os dedos do "moribundo".O caçador especial que atingiu o rebelde fou procurar a arma e viu a cana viu o sangue de um homem viu o efeito da sua arma G3 viu o que o seu dedo provocou viu um cadavér prostado por terra viu um homem sem vida viu os buracos dos projeteis da sua arma.voltou para junto de nós a transpirar mas sentindo bastante frio que lhe causou arrepios.Sentiu glória sentiu frustração sentiu remorsos sentiu-se mal sentiu uma mistura de reações que acabou por ficar emocionado.A operação termina voltamos ao quartel na hora da chegada parecia mais um grande hotel que um bairro de latas.O homem das operações dificies trás o seu "trofeu" do campo de batalha.Sim foi dificil de descrever o que efetivamente um inofensivo sentiu depois de matar um homem ato esse que que nunca havia praticado.Tudo isto se teria evitado se o homem não tentá-se fujir tudo isto se teria evitado se ele o "moribundo" não tivesse abraçado conscientemente ou inconscientemente a vida da rebeldia.

Nunca cheguei a perceber porque razão havia gente que vivia na mata primitivamente gente que gostava de viver em pé de guerra e só porque não queriam viver à sombra da bandeira verde e vermelha.Sei que esta subversão era do exterior oriunda e alimentada mas quem sofreu as suas funestas foram os que lá viviam foram os inocentes foram os inconscientes fomos todos nós. O caçador especial matou para não morrer"ChocadoConfuso

MANUEL JORGE EX-FURRIEL MIL.º DA 2.ªCOMPANHIA DE ENG.
COMANDOU A FRENTE DOS TRABALHOS NA MIANDICA NO ANO
DE 1973.FOI CONVIDADO PARA PARTICIPAR NUM ALMÔÇO DE CONVIVIO DA C.CAÇ.4141 OS GAVIÕES EM SINTRA.

AS MINHAS MEMÓRIAS DA GUERRA COLONIAL EM MOÇAMBIQUE "NIASSA lUNHO" 19 DE NOVEMBRO DE 1972 A 23 DE OUTUBRO DE 1974.

(Dia 29 de Janeiro e 15 de Fevereiro de 1973 ( 43 anos passados)
Passaram-se muitos anos a recordação daquele dia 29 de Janeiro e 15 de Fevereiro de 1973 esteve sempre presente embora algo difusa em alguns pormenores que o tempo levou consigo como recordação.
Este foi um tempo estacionário sem horizontes vivido dia após dia pela incerteza e a ansiedade resultante da imprevisibilidade das diversas situações em ações de guerrilha no interior de Africa.Num aquartelamento improvisado onde tudo era rudimentar onde quase tudo faltava e onde tudo teria de ser feito melhorando sucessivamente as instalações tendo em vista a segurança daquele reduto para uma estadia que poderia ser prolongada e onde para além de tudo teria de se manter uma atividade operacional regular.
Recordo da primeira vez que vi aquele local!
Olhei as viaturas carregadas de militares novinhos em folha acabados de chegar da Metrópole era a C.CAÇ.4141 os gaviões que ia povoar as densas e muito perigosas matas do "LUNHO" deslumbrados por se sentirem envolvidos pela natureza Africana.Os nossos rostos deixavam transparecer um misto de medo e receio do desconhecido.Concentrados na observação do meio envolvente alimentando o nosso imaginário onde tudo seria possível desde os ataques do inimigo até às investidas das feras camufladas no meio da vegetação ao longo das picadas que nos conduziam aquele local o "Lunho".A coluna militar aproximava-se lentamente e foi então vislumbrei no meio da confusão das viaturas e do pó que nos envolvia aquela clareira rodeada de vegetação com uma construção rudimentar em chapas de zinco e outras em construção artesanal em blocos de cimento e tijolos dentro de um perímetro demarcado por uma vedação com três arames farpados de fácil acesso a qualquer intruso.....
Naquele momento tive uma sensação de apatia total apeteceu-me retroceder mas nesse desalento algo renasceu em mim que me impediu a enfrentar e ultrapassar esta prova de fogo como um desafio às minhas capacidades físicas e intelectuais.
Desde o momento da mobilização sempre julguei estar preparado psicológicamente e operacionalmente para as mais diversas situações não só pela formação e preparação recebida como também pelo empenhamento que assumi ser fundamental para enfrentar as dificuldades num meio hostil e desconhecido.
Muito antes de ser chamado a cumprir o serviço militar tive consciência que iria viver esta guerra por dentro e não através dos jornais.Foi assim com esta "bagagem" que entrei na recruta no Regimento de Infantaria n.º 13 em Vila Real de Trás os Montes no dia 17 de Janeiro de 1972 (1.º turno) tendo escolhido a especialidade de corneteiro no R.2. em Abrantes onde fui mobilizado para Moçambique.Com o decorrer do tempo aquele local o Lunho passou a ser o centro do mundo e a casa de todos aqueles que durante 17 longos meses aguentaram a incerteza do dia seguinte a impossibilidade de pensar o futuro.
Transformaram as tristezas em alegrias no meio da amizade e camaradagem. Ali festejei aniversários Natais de toda a família.Recordo ainda aquelas noites de isolamento total com uma orquestra de ruídos e sonorização de intensidades diferentes que me obrigava a dormir com um olho aberto e a arma G.3 encostada ao corpo.
Não era fácil adormecer e muitas vezes ficava a usufruir da escuridão da noite com os olhos fechados durante algum tempo e ao abri-los ficar com a sensação de vertigem daquele céu cravado de estrelas que se tornava ainda mais luminoso e parecia desabar sobre todos nós.O andamento cadenciado o peso da arma G.3 macerando o ombro o cansaço a transpiração a despontar no meu corpo à medida que avançava o tempo a caminho de uma emboscada sempre prevista mas nunca desejada.Na manhã do terceiro dia levantei-me antes do romper do Sol ingeri alguns alimentos e entretanto foram feitas algumas recomendações aos Soldados para que fossem atentos se possível em silêncio mantendo as distâncias tendo sido alertados para um possível contacto com elementos da guerrilha dadas as situações anteriormente verificadas.
Iniciamos o regresso ao nosso aquartelamento do Lunho sentia ao caminhar a humidade das ervas do capim que persistentemente roçavam pelas minhas pernas encharcando as calças e botas e que rapidamente secavam aos primeiros raios de Sol que começavam a despontar a vegetação.
Nos dias anteriores a progressão pelo mato ao longo dos trilhos decorreu normalmente apesar de um ataque de abelhas e do cansaço que se fazia sentir não só pelas distâncias já percorridas através de serras e vales com arma G.3 e equipamento como também pelo clima quente e muito húmido com um aroma "acre" e doce que exalava da vegetação.Vigilantes caminhava-mos carregando cada um dentro de si alimentando o seu pensamento com ausências sempre presente de pais e irmãos mulheres e filhos namoradas e amigos.Outros trocavam as suas histórias outros haviam que falavam de futebol e também do tempo que teimava em não passar.A operação tinha terminado voltamos ao aquartelamento na hora da chegada parecia mais um grande hotel que um bairro de latas.Os heróis do arame farpado nos receberam com um sorriso e só não deixaram verter lágrimas porque eram homens estas partidas eram cenas que comoviam muita gente.
Também recordo o dia 15 de Fevereiro de 1973 quando estive de serviço no posto de sentinela junto ao depósito de géneros quando vi um Zé turra um cabeça de cabelo encarapinhado caminhando pela pista de aviação com a sua arma acima da nuca em minha direção corri para ele com a minha G3.em punho.O guerrilheiro além da arma que não chegou a utilizar a entregou com as lágrimas nos olhos pedindo para não o abater que vinha em paz vinha-se entregar no nosso aquartelamento.Aquele ser humano transportava consigo uma pequena saca em pano com uns miseráveis greiros de arroz e uma colher de pau.As suas roupas que envergava no corpo eram velhas e rotas.Fui entregálo ao Comandante da Companhia para ser enviado para o setor A em "Vila Cabral".Passado algum tempo esse homem voltou ao Lunho para se juntar aos meus camaradas que no dia seguinte iam para o mato para mais uma operação esse homem pernoitou no Lunho andou à minha procura conversou bastante comigo e me confidenciou que esteve no meio do capim deitado com a sua arma apontada na minha direção.Se o rebelde prime o gatilho da sua arma era mais um soldado Português que tombava na flor da idade ao serviço da Pátria.Este homem tinha o nome de "Samuel" fiz uma reflecção a mim próprio pensando se tudo tivesse acontecido eu não estaria aqui a contar esta triste história.
Ainda tenho na minha mente quando fui escalado para fazer parte em mais uma rotineira passeata pela Mepótxe quem comandava o grupo era o furriel Mil.º Raposo das operações especiais que ainda era checa e nós soldados que já eramos veteranos na mata começava a rir e a ver com ar ridículo as atitudes do checa.Contudo o checa nos levou ao objetivo dado que era caloiro o Zé turra gostava muito de nos seguir e neste dia foi mesmo o que sucedeu.Entre os nossos houve um que viu aparecer no meio do capim aquelas cabeças de cabelo encarapinhado.Avisou o comandante de secção que era das operações difíceis.Fez a pontaria esperou a aproximação do alvo prime o gatilho na hora exata.Foi mais um dos elementos subversivos que tinha tombado.Era ainda manhã o sol ainda não se tinha afastado do horizonte.O moribundo trazia na mão além da arma que não chegou a utilizar uma cana de açúcar com a qual tomava o seu pequeno almoço.O cadáver caiu por terra a mão abriu e a cana ficou entre os dedos do moribundo.O caçador especial que atingiu o rebelde foi procurar a arma viu a cana viu o sangue de um homem viu o efeito da sua arma viu o que o seu dedo provocou viu um cadáver prostrado por terra viu um homem sem vida viu os buracos dos projeteis da sua arma.Voltou para junto de nós a transpirar mas sentindo bastante frio que lhe causava arrepios.Sentiu glória sentiu frustração sentiu remorsos sentiu-se mal sentiu uma mistura de reações que acabou por ficar emocionado.A operação termina voltamos ao quartel o homem das operações difíceis trás o seu trofeu do campo de batalha.Sim é difícil de descrever o que efetivamente um inofensivo sentiu depois de ter matado um homem ato esse que nunca havia praticado.Tudo isto seria evitado se o Zé turra não tenta-se fugir tudo isto se teria evitado se ele o moribundo não tivesse abraçado a vida da rebeldia.Foi horrível para mim assistir à morte de um homem que todos nós o capturávamos em vida sem ter que recorrer às nossas G3.
Por toda a vida eu irei recordar todo o cenário de uma "guerrilha" necessitava de muita explicação para os que me acompanharam nesta operação sei qualquer ideia subversiva embora alguns dos responsáveis que foram violentos.Mas como sempre a critica vem ao de cima a nota predominante é o protesto de uma povoação do "Niassa Ocidental" chamado "Lunho"
"Foi duro de roer".
Recordações de um soldado que esteve no "Niassa Lunho" e em "Malema" na guerra colonial Moçambique de19 de Novembro de 1972 a 30 de Setembro de 1974.
Bernardino Peixoto soldado corneteiro 017516/72.

O BOMBARDEIRO T.6 SOBROVOANDO AS MATAS DO LUNHO:

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OS CORNETEIROS DA C.CAÇ.4141 OS GAVIÕES: